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LA VENTANA UNA EXPOSICIÓN DE DAVID DE LA MANO

  La ventana ciega, una muestra de  David de la Mano comisariada por Ricardo García Núñez.  David de la Mano (Salamanca, 1975) es un artista cuya obra construye mapas  emocionales de la experiencia humana. Sus grandes murales, poblados por figuras  humanas que se entrelazan y se acumulan, exploran la densidad de la existencia y la frágil  poética de la vida colectiva. Desde finales de los años 90, ha desarrollado proyectos en  espacios públicos que transitan la escultura, la instalación y el land art, transformando  entornos cotidianos en paisajes que invitan a la reflexión sobre nuestra geografía interna y  externa.  El trabajo de David se extiende por más de 20 países en cuatro continentes, y su obra  gráfica ha formado parte de exposiciones individuales y colectivas en galerías y museos  de Madrid, Valencia, Salamanca, París, Milán, Roma, Varsovia, Moscú, Berlín, Montevideo,  Mendoza, Barcelona, Oslo, Chicago, Los Ángel...

NATAL, por JOSÉ DE CAMPOS

 

N A T A L


Diz-se que o Natal é sempre que o homem quiser, mas é certamente mais Natal, na época que o calendário determina...


Em que há frio,

calor humano,

neve, uma lareira,

chuva, um agasalho,

frio nos pés, Missa do Galo.

Algum desengano, talvez enguiço,

azeite, bacalhau, couve e muito alho.

Doentes a sofrer,

pobres sem um tecto,

gente em sua terra, 

soldados na guerra,

famílias felizes, outras nem por isso.

Uns que têm paz, outros solidão,

uns com abundância e muitos sem pão.

Montras enfeitadas,

lares sem aconchego,

montes de famílias em desassossego.

Bolos, filhoses, 

um surdo clamor de pobres vozes, 

desemprego.

Olhitos de criança, o Pai Natal,

prenditas no sapato, frio glacial,

muitas correrias, algum desacato.

Um olhar ao Céu, uma prece a Deus,

e quem é cristão a lembrar os seus.

Os nossos amores, que connosco vivem,

e os progenitores que nos deram vida,

e a qualquer momento estão de partida.

Os filhos dilectos a chegar a casa,

e os avós e netos a atiçar a brasa.

O cheiro dos fritos em cima da mesa,

e a triste lembrança de muita pobreza.

Um lar de abundância,

e a recordação de uma pobre infância,

e de alguns medos, 

de um tempo passado com poucos brinquedos.

Lembranças da terra,

da massa a fintar na grande panela, 

chama a crepitar, e cheiro a canela.

O madeiro em chamas, aquecendo a praça,

o calor no rosto da gente que passa,

o velho e o jovem que seus sonhos traça.

O menino nu em palha estendido, causa um arrepio,

mas, porque é divino, nunca sente frio.

É tempo de esperança, de uma nova aurora, 

e se eu não me lembro,

digam-me agora,

quando é o Natal, se não em Dezembro?  


 José de Campos



                                             







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